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Backing track

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Backing track (em português, faixa de acompanhamento) é uma gravação de áudio em fita magnética, CD ou em um meio de gravação digital, ou ainda uma gravação MIDI de instrumentos sintetizados, às vezes composta apenas por acompanhamento rítmico, frequentemente de uma seção rítmica ou de outras partes de acompanhamento com as quais músicos ao vivo tocam ou cantam junto. As backing tracks permitem que cantores e bandas adicionem partes à sua música que seriam impraticáveis ou impossíveis de executar ao vivo,[1] como partes de seção de cordas ou coro, que foram gravadas em estúdio.

Uma backing track pode ser utilizada por uma banda de uma só pessoa (por exemplo, um cantor-guitarrista) para adicionar qualquer quantidade de baixo, bateria e teclados às suas apresentações ao vivo, sem o custo de contratar músicos adicionais. Um pequeno grupo de pop ou uma banda de rock (por exemplo, um power trio) pode usar backing tracks para acrescentar uma seção de cordas, seção de metais, bateria ou vocais de apoio às suas apresentações ao vivo.

Bandas ou músicos solo podem utilizar backing tracks para adicionar faixas instrumentais ou vocais extras a uma apresentação ao vivo, seja para enriquecer o som (como no uso de vocais de apoio dobrados) ou para reproduzir de forma mais fiel a instrumentação ouvida em uma gravação (como no uso de partes adicionais gravadas, por exemplo seção de cordas, que seriam dispendiosas de reproduzir ao vivo). Um cantor ou grupo vocal que se apresenta sem uma banda de apoio pode cantar acompanhado de música pré-gravada. Uma faixa musical sem vocais principais também pode ser chamada de karaokê, faixa minus-one ou playback.

Backing tracks musicais também estão disponíveis para prática instrumental e jamming por músicos de jazz, ajudando intérpretes iniciantes a intermediários a tocar sobre a parte rítmica de uma música ou a aprender a improvisar sobre progressões de acordes. As backing tracks também são conhecidas como jam tracks,[2] faixas de acompanhamento, faixas de karaokê ou faixas de performance. Quando adquiridas comercialmente, as backing tracks frequentemente utilizam músicos de estúdio para executar os instrumentos e os vocais de apoio, em vez de utilizar a gravação original da música, pois os direitos para usar a execução original das partes de acompanhamento de uma banda conhecida seriam muito caros.

Na música eletrônica, algumas partes que foram programadas são rápidas ou complexas demais para serem tocadas por um músico ao vivo. As backing tracks também são utilizadas quando alguns ou todos os integrantes de um grupo estão simulando a execução de seus instrumentos, fazendo lip sync ou utilizando faixas-guia.

Além disso, determinadas situações podem exigir o uso obrigatório de uma backing track; alguns programas de televisão requerem que participantes de competições musicais de reality show cantem apenas os vocais ao vivo, a fim de simplificar o processo de mixagem da apresentação, pois isso elimina a necessidade de os engenheiros de som configurarem microfones para diferentes bandas de apoio.

Backing tracks também podem ser adquiridas pela internet por meio de fornecedores especializados e utilizadas para prática em casa ou em apresentações ao vivo.

Equipamentos

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Antes do advento dos computadores, as backing tracks eram geralmente utilizadas por meio de fitas de áudio sincronizadas com a apresentação ao vivo. Na década de 1980, o Timbuk 3 foi uma das primeiras bandas a utilizar backing tracks de forma aberta em apresentações ao vivo. O grupo exibia explicitamente seu "boombox" como o terceiro (3.º) integrante da banda. O cantor e compositor Pat MacDonald escrevia, interpretava e pré-gravava todas as faixas. O Timbuk 3 começou como uma forma mais barata de tocar como músico de rua nas ruas de Austin, Texas.

Os sequenciadores digitais proporcionaram uma nova opção para bandas baseadas em música eletrônica: um sequenciador podia ser programado com dados de controle MIDI para reproduzir uma música inteira ao vivo, gerando os sons dos instrumentos a partir de sintetizadores.[3] A banda Sparks foi uma das primeiras a utilizar backing tracks baseadas em computador, excursionando com um computador de mesa em 1994.[4] No entanto, apenas com o surgimento de computadores portáteis de baixo custo (e, mais especificamente, das estações de trabalho de áudio digital) os músicos passaram a ter uma alternativa real ao uso exclusivo de fitas.

Na década de 2000, os métodos utilizados para reprodução de backing tracks variaram: bandas menores frequentemente utilizavam CDs, reprodução em DAT, MiniDisc ou até mesmo um MP3 player; artistas de maior porte passaram a utilizar mais comumente computadores ou dispositivos independentes de reprodução MIDI e áudio[5] com módulos de som integrados.

Críticas

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O uso de backing tracks tem atraído críticas por parte de alguns críticos musicais. Muitos fãs não gostam do uso de faixas em apresentações ao vivo, pois consideram que elas prejudicam a integridade e a honestidade de uma performance ao vivo. O grau de crítica tende a variar de acordo com a quantidade de backing tracks utilizadas.[carece de fontes?] A reprodução de áudio adicional, como partes rápidas e complexas de sintetizador ou de seção de cordas, enquanto uma banda toca ao vivo tende a receber menos críticas; as mais severas geralmente são direcionadas a faixas de apoio que incluem toda ou a maior parte da execução da banda de apoio.[carece de fontes?]

Alguns músicos se manifestaram contra o uso de backing tracks; notavelmente, Elton John declarou em 2004 que "qualquer pessoa que faça lip sync em público, no palco, quando se paga 75 libras para vê-la, deveria ser fuzilada".[6] Federico Mondelli, da banda Frozen Crown, escreve músicas que se tornaram complexas demais para apenas dois guitarristas, razão pela qual contratou um terceiro músico. "Todos esses engenheiros de som e amigos estavam nos aconselhando a usar uma backing track, mas é claro que não queríamos isso — nós realmente desprezamos isso! Queríamos uma pessoa de verdade".[7]

Por outro lado, alguns músicos defendem o uso de faixas. Por exemplo, os Pet Shop Boys afirmam que "não há nenhum segredo disfarçado nisso" e que sua música baseada em eletrônica soaria "desleixada" se fosse tocada inteiramente ao vivo, uma visão compartilhada por outros grupos eletrônicos.[carece de fontes?] Roger Waters admitiu utilizar uma faixa vocal pré-gravada para reforçar seus vocais ao vivo em determinadas canções; seu colega de banda Norbert Stachel concordou que seria melhor Waters usar a faixa do que perder a voz.[8]

Ver também

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Referências

  1. lerner, sandy. «Dilettante's Dictionary». www.DilettantesDictionary.org. Consultado em 4 de janeiro de 2018. Arquivado do original em 31 de maio de 2008
  2. The originators of the concept after Music Minus One LPs were Thomas & Ginex Jam Tapes made available in 1976 and followed by Mel Bay publications Jam Books which were packaged with a T & G Jam Tape. These tapes differed from any practice tracks produced after their introduction inasmuch as each Jam Tape selection was a track that continued for a full half hour, allowing the player to practice without having to rewind the cassette after 4 or 5 minutes of play time, an invaluable asset to practicing improvisation. Jam Tracks for Native American Flute
  3. «Preparing Backing Tracks For Live Use -». www.SoundOnSound.com. Consultado em 4 de janeiro de 2018
  4. «Sparks - Now That I Own the BBC Interview». YouTube. 30 de dezembro de 2009. Cópia arquivada em 13 de dezembro de 2021
  5. «Different Types Of Backing Track Playback Devices». EmeraldTracks.com. Consultado em 4 de janeiro de 2018
  6. «Elton John takes swipe at Madonna». Today. 4 de outubro de 2004. Consultado em 11 de março de 2025
  7. Adams, Gregory (18 de dezembro de 2024). «"All these sound engineers and friends were advising us to use a backing track… we really despise that! We wanted a real person": How an 18-year-old shredder supersized Frozen Crown's triple-guitar power metal assault». Guitar World. Consultado em 10 de março de 2025
  8. Matt. «Pink Floyd news :: Brain Damage - Norbert Stachel - August 2002 - with Brain Damage». www.Brain-Damage.co.uk. Consultado em 4 de janeiro de 2018