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Seagram Building

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Seagram Building
Informações gerais
TipoEscritórios
Estilo dominanteInternacional
ArquitetoLudwig Mies van der Rohe
Philip Johnson
Ely Jacques Kahn
Robert Allan Jacobs
EngenheiroJaros, Baum & Bolles
Severud Associates
Clifton E. Smith
Início da construçãomaio de 1956
Inauguração22 de maio de 1958
Proprietário(a)Seagram (1958–1979)
TIAA (1979–2000)
RFR (2000–presente)
Websiteseagram375park.com
Dimensões
Altura156,97 m
Andares38
Subsolos3
Elevadores18
Área78 876 
Geografia
País Estados Unidos
LocalizaçãoManhattan, Nova Iorque,
Nova Iorque
Coordenadas40° 45′ 30″ N, 73° 58′ 20″ O
Mapa
Localização em Nova Iorque

O Seagram Building é um arranha-céu de escritórios localizado no bairro de Midtown Manhattan na cidade de Nova Iorque, Estados Unidos. Foi inaugurado em maio de 1958 originalmente como a sede da destilaria canadense Seagram, tendo 157 metros de altura e uma área de escritórios de mais de 78 mil metros quadrados espalhados por 38 andares. Foi projetado no Estilo Internacional pelos arquitetos Ludwig Mies van der Rohe, Philip Johnson, Ely Jacques Kahn e Robert Allan Jacobs, enquanto a Jaros, Baum & Bolles foi a engenheira mecânica, a Severud Associates a engenheira estrutural e Clifton E. Smith o engenheiro elétrico.

A Seagram revelou seus planos para o edifício em julho de 1954, quando anunciou a construção de uma nova sede na então nascente área comercial da Avenida Park. Phyllis Lambert, a filha Samuel Bronfman, o diretor executivo da Seagram na época, foi contra o projeto original preparado pela firma Pereira & Luckman, assim Mies foi selecionado como o novo arquiteto em novembro. A construção começou no início de 1956 e terminou em 1958, porém o certificado de ocupação oficial só foi concedido no ano seguinte. A Associação de Seguros e Anuidades para os Professores da América (TIAA) comprou o prédio em 1979, porém permaneceu como a sede da Seagram até 2001. A TIAA vendeu o edifício em 2000 para a RFR Holding.

Lambert, também uma arquiteta, exerceu grande influência no projeto do Seagram Building, que serviu de exemplo da estética funcionalista e uma grande referência de arquitetura moderna corporativa. A fachada externa é formada por um muro cortina de vidro com mainéis verticais de bronze e enjuntas horizontais feitas de metal Muntz. Em frente ao edifício há uma praça pública com dois chafarizes. No térreo há um saguão de elevadores cujo projeto é similar ao da praça. Os andares inferiores originalmente continham o Four Seasons Restaurant e o restaurante Brasserie, porém ambos foram substituídos em 2017 pelo The Grill and Pool e pelo The Lobster Club, respectivamente. Os andares superiores são ocupados por espaços de escritórios modulares.

Ao ser inaugurado, o Seagram Building foi muito elogiado por sua arquitetura, tendo inspirado o projeto de outras estruturas ao redor do mundo. Dentro da própria Nova Iorque, o edifício ajudou a influenciar a Resolução de Zoneamento de 1961, que permitia que incorporadores imobiliários construíssem andares adicionais em troca da inclusão de praças públicas do lado de fora dos seus empreendimentos. Seu exterior, saguão e o Four Seasons Restaurant foram oficialmente designados em 1989 como marcos históricos de Nova Iorque, enquanto em 2006 o edifício foi adicionado ao Registro Nacional de Lugares Históricos.

O Seagram Building está localizado no número 375 da Avenida Park, do lado leste entre as Ruas 52 e 53, no bairro de Midtown Manhattan da cidade de Nova Iorque, estado de Nova Iorque, Estados Unidos.[1][2] O edifício nunca foi oficialmente nomeado em homenagem ao seu ocupante principal original, o conglomerado canadense Seagram, sendo legalmente conhecido apenas pelo seu endereço, 375 Park Avenue.[3] O prédio tem seu próprio código postal, 10152, sendo um de 41 edifícios de Manhattan com seu próprio código postal.[4] O terreno mede noventa metros de comprimento na Rua 52 ao sul, 61 metros na Avenida Park ao oeste e 92 metros na Rua 53 ao norte.[2][5] O terreno inclina-se para o leste,[2][6][7] descendo aproximadamente 2,4 metros em relação ao oeste.[8]

Há uma viela no lado da Rua 53 de 2,1 metros de largura, de frente para o Selene, que permite que o Seagram Building seja simétrico apesar da forma irregular do terreno.[9] Outros edifícios próximos incluem o 345 Park Avenue do outro lado da Rua 52 ao sul, o 399 Park Avenue do outro lado da Rua 53 ao norte, a Lever House diagonalmente do outro lado da Avenida Park e da Rua 53 ao oeste, e o Racquet and Tennis Club e Park Avenue Plaza do outro lado da Avenida Park ao oeste.[1] Além disso, o 599 Lexington Avenue e 601 Lexington Avenue, bem como a Estação Lexington Avenue/51st Street do Metrô de Nova Iorque, ficam na Avenida Lexington menos de um quarteirão ao leste.[1][10]

A fábrica de pianos original da Steinway & Sons ficava no século XIX no local onde hoje está o Seagram Building, assim como cortiços feitos de tijolos ou brownstone.[11] A linha ferroviária da Avenida Park passava no meio da Avenida Park até a década de 1900. A construção da Estação Grand Central no início do século XX cobriu a linha, impulsionando o desenvolvimento na área ao redor, que era chamada de Cidade da Estação.[12][13] O trecho adjacente da Avenida Park se tornou um bairro rico com apartamentos de luxo, incluindo o Montana Apartments, construído em 1914[14] no lugar da fábrica de pianos.[11] Arranha-céus principalmente no Estilo Internacional substituíram muitas das estruturas residenciais na avenida durante as décadas de 1950 e 1960.[15][16] Esses edifício incluíam o Seagram Building, Lever House, Union Carbide Building e Pepsi-Cola Building.[17] Muitas dessas estruturas tinham recuos, como vários dos arranha-céus da cidade do início do século, ou foram construídos como lajes retangulares de vidro com poucas decorações.[18] Quando a Seagram adquiriu o terreno no início da década de 1950, ele continua o Montana Apartments, quatro casas conjugadas e edifícios de apartamento.[19][20][21]

História

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O empresário Samuel Bronfman, o diretor executivo da destilaria canadense Seagram, começou a planejar a construção de uma nova grande sede para a empresa em Manhattan depois da Lei Seca ter sido abolida em 1933, porém seu plano demorou duas décadas para ser realizado.[22][23] Bronfman decidiu que a sede deveria ficar em algum lugar na Avenida Park entre as Ruas 50 e 59, região que na época estava se tornando uma área comercial.[24][25] A Nova Iorque da década de 1950 estava passando por um aumento no número de empreendimentos de escritórios após duas décadas de pouca demanda por conta primeiro da Grande Depressão e depois da Segunda Guerra Mundial.[18]

Desenvolvimento

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Planos iniciais

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O Seagram Building foi construído como sede para a destilaria canadense Seagram

A Seagram comprou em 1951 por quatro milhões de dólares um terreno de 4 733 metros quadrados no lado leste da Avenida Park entre as Ruas 52 e 53, do outro lado da Lever House.[19][26] Bronfman almejava desenvolver uma estrutura que fosse considerada um "edifício importante",[27] querendo um projeto que fosse mais do que apenas uma laje de aço e vidro.[28] Ele também queria que a inauguração do prédio coincidisse com o centenário da empresa em 1957.[29] Segundo o arquiteto Philip Johnson, a Lever House tinha estabelecido um exemplo para a construção do que se tornaria o Seagram Building.[30] O arquiteto Ely Jacques Kahn enviou a Bronfman em julho uma carta e uma brochura, pedindo uma entrevista com ele. O advogado Alfred L. Rose enviou no mês seguinte uma carta a Bronfman apoiando os trabalhos de Kahn e do também arquiteto Robert Allan Jacobs.[31] Kahn, trabalhando com vários agentes de aluguel, esboçou vários diagramas para a fachada de uma torre hipotética no local, que ele chamou de "Operação Skytop". O único diagrama sobrevivente, chamado de "esquema 2", mostra uma torre volumosa ascendendo a partir de vários recuos,[32] sendo similar em estilo a outros arranha-céus de Manhattan na época.[33]

Bronfman conheceu Charles Luckman, um arquiteto e o ex-presidente da empresa de sabonete Lever Brothers, em junho de 1954. O primeiro disse ao segundo que tinha a intenção de construir uma torre de escritórios de 35 andares com um castelo inglês importado no topo.[32] A Seagram anunciou no mês seguinte que construiria um edifício de 34 andares projetado por Luckman e William Pereira, seu parceiro arquiteto na firma Pereira & Luckman. Foi estimado que a estrutura custaria quinze milhões de dólares.[19][34][35] A Pereira & Luckman tinha projetado várias estruturas comerciais após a Segunda Guerra Mundial,[36] com Luckman, que tinha supervisionado o desenvolvimento da Lever House, dizendo que estava "muito feliz de voltar à Avenida Park para uma repetição de performance".[19] Como originalmente planejado, o edifício teria uma base de mármore e bronze com quatro andares mais trinta andares feitos de metal e vidro.[34][37][38] O projeto também incluía um auditório, uma sala de cinema, salas de exposição e escritórios executivos,[34][37] bem como pátios com jardim internos.[34] A Pereira & Luckman submeteu no mesmo mês os planos para aprovação do Departamento de Edifícios da Cidade de Nova Iorque.[39]

O projeto da Pereira & Luckman foi criticado depois de ser anunciado. Segundo a revista Architectural Forum, os críticos compararam a aparência do prédio com um "enorme isqueiro" e um "troféu grande".[40][41] Phyllis Lambert, a filha arquiteta de 27 anos de Bronfman, estava vivendo em Paris na época e viu um desenho do plano da Pereira & Luckman na edição parisiense New York Herald Tribune.[19][22][42] Lambert detestou os planos,[33][36], depois comentando que ficou "fervendo de fúria" com a proposta.[19][42][43] Ela escreveu uma carta para seu pai em agosto dizendo que qualquer nova sede para a empresa deveria ser considerada uma "contribuição" para a cidade, além de servir como um símbolo da Seagram.[44] Lambert afirmou décadas depois em um livro sobre o prédio que a "Esta carta começa com uma palavra repetida enfaticamente... NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO".[45][46] Para tentar apaziguar sua filha, Bronfman ofereceu que Lambert selecionasse o mármore que seria usado no térreo, uma oferta que ela recusou categoricamente.[46]

Planos modificados

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Ludwig Mies van der Rohe (esquerda) e Philip Johnson (direita) foram os dois principais arquitetos responsáveis pelo projeto do Seagram Building

Bronfman, seguindo uma sugestão de seu amigo Lou Crandall,[42] cedeu e encarregou sua filha de encontrar um arquiteto alternativo.[41][47] O projeto da Pereira & Luckman ainda estava sendo divulgado publicamente como um "modelo preliminar", mas Olga Gueft, a editora da revista Interiors, disse que relatos indicavam que o plano original "tinha sido atirado ao mar".[19][48] Lambert conversou com um amigo no Museu de Arte Moderna, que por sua vez lhe apresentou Johnson, que era o diretor do departamento de arquitetura e projeto do museu.[49] Ela em seguida analisou vários dos principais arquitetos modernistas e faz várias entrevistas,[50][51][nota 1] perguntando a cada arquiteto quem eles achavam que deveria projetar o edifício.[53] Ela acabou reduzindo as possibilidades para três arquitetos: Mies van der Rohe, Frank Lloyd Wright e Le Corbusier. Lambert descartou o projeto de Wright como "não é a afirmação que se precisa agora", também tendo preocupações que Le Corbusier tinha pouca experiência projetando edifícios estadunidenses.[54] Por outro lado, ela achou que Mies era o mais confiável.[53][55]

Lambert escolheu Mies para projetar o edifício em novembro de 1954.[5][44] Ela descreveu os projetos de Mies, como o prédio residencial 860–880 Lake Shore Drive em Chicago, como "sublimemente urbano",[56] também dizendo que jovens arquitetos se inspiravam nas obras dele.[54] Bronfman aprovou a escolha e designou sua filha como a diretora de planejamento do edifício,[26][56] com Lambert ganhando vinte mil dólares anualmente desse cargo.[45] Johnson foi selecionado como co-arquiteto porque Mies não era licenciado para praticar arquitetura no estado de Nova Iorque[49][56][57] e porque havia preocupações com a idade de Mies, que tinha 68 anos na época.[55] Johnson nunca tinha projetado um arranha-céu antes,[32] assim Kahn e Jacobs foram contratados como arquitetos associados.[32][52] Bronfman tinha poucas exigências para o prédio.[8][46] Especificamente, a torre não deveria ser colocada sobre palafitas,[46] precisava ter uma área de pelo menos 46 mil metros quadrados e ser a "glória suprema do trabalho de todos".[8]

Mies, que nunca tinha projetado um edifício em Nova Iorque, queria uma laje simples. Ele estava insatisfeito com os recuos da maioria dos arranha-céus projetados depois da aprovação da Resolução de Zoneamento de 1916,[22][57][58] especialmente porque ela restringia o tamanho dos andares superiores. Mies considerou três alternativas para uma laje atrás de uma grande praça, com a fachada sendo dividida em vários tramos.[14] Um dos planos era para uma torre quadrada, outro para um retângulo três por sete com três tramos virados para a Avenida Park e um terceiro para um retângulo cinco por três com cinco tramos virados para a avenida.[59] Ele criou várias miniaturas da proposta[60] e uma miniatura dos edifícios na avenida entre as Ruas 46 e 57. Mies acabou selecionando o terceiro plano, que Lambert elogiou.[51][57] A Seagram, após a seleção dos arquitetos, comprou 840 metros quadrados de um terreno adjacente por novecentos mil dólares.[25] Esta aquisição permitiu que o edifício ficasse recuado da Avenida Park e se adequasse à Resolução de Zoneamento de 1916,[56] pois permitia que transeuntes o visse da rua.[46] No total, a empresa gastou cinco milhões de dólares comprando terrenos.[61][62]

Construção

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O Seagram Building em construção em 1957

Mies enviou ao Departamento de Edifícios em março de 1955 planos atualizados do Seagram Building; foi estimado na época que a estrutura custaria aproximadamente vinte milhões de dólares.[20][57][63] O departamento registrou os planos de Mies como uma modificação dos planos originais da Pereira & Luckman, em vez de serem totalmente novos.[64] Nessa época, apenas vinte de 250 inquilinos do terreno tinham ido embora.[20][57] O jornal The New York Times descreveu em abril de 1955 a proposta da torre como uma de várias na Avenida Park que "somam-se para formar um boom".[65] Seguindo uma sugestão de Bronfman,[66] os arquitetos especificaram que o edifício deveria ser feito de bronze e vidro.[57] Kahn esboçou um projeto alternativo que teria uma fachada significativamente diferente daquela proposta por Mies. Lambert não aprovou o plano alternativo, afirmando que Kahn estava "minando as decisões de Mies", assim o arquiteto concordou com o projeto de Mies.[67] Bronfman chegou a sugerir que o saguão fosse expandido para a praça a fim de criar espaço para um banco, com Mies viajando até a casa de Bronfman para dissuadi-lo da proposta.[68]

A demolição dos edifícios existentes no terreno começou em setembro de 1955[69][70][71] e terminou em março de 1956.[21] Mies se mudou para o vizinho Barclay Hotel a fim de supervisionar a construção,[72] enquanto Johnson ficou na casa de um cliente em Connecticut.[73] Mies solicitou a adesão à divisão de Nova Iorque do Instituto Americano de Arquitetos, porém foi rejeitado em dezembro de 1955,[56] com o governo estadual também se recusando a lhe conceder uma licença para praticar arquitetura a menos que ele mostrasse provas de educação formal.[68] Mies se sentiu insultado e voltou para Chicago, deixando Johnson no controle total do projeto.[56][68] Kahn escreveu em seu diário que o edifício sofreu atrasos em abril de 1956.[71] Mies acabou recebendo uma licença para praticar arquitetura em Nova Iorque e voltou ao projeto em junho.[56]

A construção da superestrutura começou em maio de 1956, com a primeira grande coluna de aço sendo instalada no mês seguinte.[74] Setecentos trabalhadores uniram mais de cinco mil peças da estrutura de aço, que pesava ao todo pro volta de onze milhões de toneladas.[75] Por conta de uma regra que proibia carros parados com os motores ligados em Midtown Manhattan, alguns caminhoneiros foram multados enquanto entregavam vigas de aço para o canteiro de obras, fazendo com que entrassem em greve temporariamente até a regra ser alterada para permitir entregas.[76][77][78] A construção da estrutura de aço envolveu a fixação das vigas com parafusos, em vez de rebites, com isto tendo sido feito para reduzir o barulho; este trabalho recebeu o oficial "Prêmio Cidade Silenciosa" do governo municipal.[75] Lambert continuou atuando como diretora de planejamento durante a construção.[46] Ela convenceu os construtores a realizarem o projeto original de Mies, incluindo pequenos detalhes como o aparelho, que não ficaria a vista.[45] A superestrutura chegou no seu topo em dezembro de 1956.[75][79] A fachada de bronze e vidro começou a ser instalada em setembro de 1956 e foi finalizada em abril de 1957.[80] Segundo o diário de Kahn, os arquitetos discutiram "mudanças violentas" sobre o custo e projeto do edifício em julho de 1957, porém essas mudanças não foram implementadas.[71]

A Seagram transferiu seus escritórios para o edifício ainda incompleto em dezembro de 1957,[81] com o Departamento de Edifícios concedendo um certificado de ocupação temporário no ano seguinte.[82] O Seagram Building foi oficialmente inaugurado em 22 de maio de 1958, com a empresa colocando para aluguel todos os espaços de escritório que não ocupava.[81] O Departamento de Edifícios só foi emitir um certificado de ocupação permanente em 1959.[82] Foi estimado na época que todo o projeto custou 43 milhões de dólares, incluindo as aquisições de terreno, ou aproximadamente 540 dólares por metro quadrado.[62] Outras fontes citam outros valores totais, como por exemplo quarenta milhões,[83] 41 milhões[61] ou 45 milhões.[52] Independentemente, o custo por metro quadrado foi aproximadamente o dobro de edifícios similares na cidade.[62][84]

Propriedade da Seagram

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Anos 1950 e 1960

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O Seagram Building visto da Avenida Park

Noventa por cento dos escritórios já estavam ocupados em julho de 1958.[85] Os inquilinos pagavam de 73,3 a 89,3 dólares por metro quadrado nos andares superiores, comparado com 53,8 a 56,5 dólares em outros edifícios.[85][86] Esperava-se que durante o primeiro ano os espaços de escritórios gerassem treze por cento de retorno sobre o investimento.[82][87] A Cushman & Wakefield foi contratada como a agência de aluguel.[22] Dentre os ocupantes iniciais estavam "várias corporações industriais e de serviço" manufatureiras,[88] bem como a Bethlehem Steel[89] e Maruzen Petroleum.[90] O edifício também sediou a Goodson-Todman Productions,[91] a sede de vendas da Eagle Pencil,[92] um projetista industrial,[93] um gerente de imóveis, um produtor de arte,[94] uma empresa de publicidade por mala direta[95] e vários outros inquilinos comerciais.[96] A Restaurant Associates ocupou o térreo com os restaurantes Four Seasons e Brasserie, inaugurados em 1959.[97] Os espaços de escritórios acabaram tendo 115 inquilinos, muitos parcialmente atraídos pelo renome internacional de Mies.[98] Havia em 1961 uma lista de espera para espaço no edifício.[99]

O Seagram Building e sua praça foram usados para mostras e exposições durante seus primeiros anos. Por exemplo, o edifício sediou em 1958 um espetáculo de arte para celebrar o aniversário de treze anos das Nações Unidas.[100][101] Uma cabeça esculpida da civilização mesoamericana Olmeca foi exibida na praça em 1965.[102] O World Monuments Fund exibiu uma cabeça moai na praça em 1968 com o objetivo de chamar atenção para os artefatos da Ilha de Páscoa, que eram considerados ameaçados.[103][104] Atmospheres and Environment XII, uma escultura ambiental de aço por Louise Nevelson, foi instalada na praça em 1971.[105] Outras esculturas ou obras de arte erguidas no Seagram Building e na sua praça incluíram a escultura Broken Obelisk de Barnett Newman em 1967 e a escultura Milord la Chimarre de Jean Dubuffet em 1974.[104]

O governo municipal premiou a Seagram em 1963 com um prêmio pela "contribuição notável" do edifício à cidade, porém também aumentou os impostos sobre a propriedade da empresa.[106] A avaliação tributária recalculada de 21 milhões de dólares foi baseada no valor em potencial caso o prédio fosse demolido, enquanto a Seagram lutou para manter a avaliação em dezessete milhões dólares, baseando-se na renda de aluguel que gerava.[107][108] Essa avaliação mais elevada foi mantida no ano seguinte pelo Tribunal de Apelações de Nova Iorque,[109][110] uma decisão que a Associação de Planejamento Regional criticou como potencialmente destrutivo para "a esperança de uma grande arquitetura comercial no Estado de Nova Iorque".[111][112] A crítica arquitetural Ada Louise Huxtable disse que o imposto era o começo da "aniquilação arquitetural" da cidade, afirmando que a avaliação tributária mais alta era um "método especial de taxar excelência arquitetônica".[61][112][113] Ainda existia grande demanda para espaço de escritórios em Midtown Manhattan, mesmo com um grande número de novos empreendimentos tendo sido erguidos na área. Por exemplo, a firma de investimentos imobiliários Realty Equities transferiu sua sede para o Seagram Building em 1968, com outra empresa imediatamente se oferecendo para sublocar o espaço da Realty por um preço muito mais alto.[114]

Anos 1970

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A praça em frente do Seagram Building, com um dos chafarizes

A própria Seagram acabou achando que o aluguel de sua própria sede era muito alto e abriu mão de catorze mil metros quadrados do edifício, transferindo em 1972 aproximadamente seiscentos de seus 983 funcionários para outro local.[115][116][117] Executivos da empresa, em uma carta ao prefeito John Lindsay, atribuíram essa mudança parcialmente à avaliação tributária elevada.[115][118] A administração do edifício conduziu em 1971 o que autoridades municipais consideraram o primeiro exercício de incêndio voluntário de Nova Iorque em um prédio de escritórios.[119][120] A Seagram recebeu na década de 1970 várias ofertas pelo edifício de compradores em potencial, com a empresa contemplando vendê-lo e arrendar de volta seus próprios espaços de escritório.[121]

A Seagram decidiu em 1976 manter a propriedade do edifício, afirmando que ele trazia publicidade para a empresa.[121][122] Nesse mesmo ano, Edgar Bronfman Sr., filho de Samuel Bronfman e o então presidente da Seagram, pediu que a Comissão de Preservação de Marcos Históricos de Nova Iorque concedesse a classificação de marco histórico para o edifício.[121][123][124] Isto surpreendeu o prefeito Abraham Beame, pois os proprietários da cidade normalmente tentavam impedir que seus edifícios fossem designados como marcos.[121] A comissão não fez uma audiência sobre a questão, pois suas regras especificavam que marcos individuais deveriam ter pelo menos trinta anos de idade no momento da designação e o Seagram Building tinha apenas dezoito.[112][125] Bronfman propôs que a comissão permitisse designações para prédios com menos de trinta anos caso seus donos fossem a favor da designação, porém nada foi feito sobre essa proposta.[125][126]

Propriedade da TIAA

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O Seagram Building da esquina da Rua 53

A Seagram colocou o edifício à venda em fevereiro de 1979 pelo preço de 75 milhões de dólares. Como não havia uma designação de marco oficial, a empresa exigiu que o novo dono preservasse o exterior e espaços públicos em sua condição original.[127] Isto foi imposto pelo que ficou conhecido como restrição do Artigo 26, que protegia o exterior, interiores públicos e outros espaços internos até 4,9 metros de distância da fachada.[46] O novo dono também teria a obrigação de manter a posse do prédio por pelo menos quinze anos e deveria assumir as elevadas avaliações de impostos sobre o terreno.[127] O edifício foi vendido em junho para a Associação de Seguros e Anuidades para os Professores da América (TIAA) por 85,5 milhões de dólares, com a Seagram arrendando espaços de escritórios de volta.[125][126][128] Este valor incluía 70,5 milhões pelo edifício e quinze milhões pelo terreno.[129] O nome Seagram Building foi mantido como parte da venda, porém ele era identificado apenas por seu endereço em sinalizações.[126] Lambert continuou envolvida na operação do edifício por décadas depois da sua venda.[45]

A TIAA também era a favor de uma designação de marco histórico para o prédio. A associação, no início de 1988, pouco mais de trinta anos depois da finalização do Seagram Building, apresentou documentação junto à Comissão de Preservação de Marcos pedindo que o exterior, saguão e praça do edifício fossem considerados para designação de marcos.[129][130][131] Os operadores do Four Seasons separadamente também apoiaram a designação de marco para os interiores de seu restaurante.[131][132] A Comissão de Preservação de Marcos designou em 3 de outubro de 1989 o exterior, saguão e praça do Seagram Building mais o Four Seasons como marcos. Este último foi apenas o segundo interior de restaurante na cidade a ser designado como marco histórico, depois do Gage and Tollner no Brooklyn.[130][133] O Conselho de Estimativas da Cidade de Nova Iorque ratificou todas as designações em janeiro de 1990.[134] Apesar da TIAA ter sido muito a favor das designações para o exterior e saguão, ela processou a Comissão de Preservação de Marcos em 1990 para remover a designação do Four Seasons. A TIAA argumentou que o restaurante era uma propriedade particular e que a designação forçaria o restaurante a continuar operando mesmo que seus donos quisessem fechá-lo.[135] A designação foi mantida pelo Tribunal de Apelações em 1993.[136] The Brasserie, que não tinha nenhuma designação de marco, foi renovado em 1999 depois de ter sido danificado por um incêndio em 1995.[137][138]

Propriedade da RFR

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Anos 2000 e 2010

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A praça e os andares inferiores do Seagram Building vistos da Avenida Park

O investidor imobiliário Aby Rosen assinou um contrato em outubro de 2000 para comprar uma participação majoritária no edifício por 375 milhões de dólares,[139][140] completando a compra em dezembro. Na época, 99,5 por cento dos espaços do prédio estavam ocupados, mas apenas seis inquilinos originais restavam.[141] A Seagram transferiu sua sede para outro edifício no ano seguinte.[112] A RFR Holding de Rosen manteve a posse do Seagram Building[142] e gastou vinte milhões de dólares em renovações pelos quatro anos seguintes.[143] O conglomerado midiático francês Vivendi, que tinha comprado a Seagram em 2000, começou a vender obras de arte do edifício em 2003 para arrecadar dinheiro.[144][145] A RFR recebeu em 2005 permissão da Comissão de Preservação de Marcos para transferir direitos de desenvolvimento não utilizados do terreno do Seagram Building para um edifício vizinho. Em troca, seria exigido da RFR manter a fachada do prédio em uma condição quase original.[146]

O edifício foi indicado em 12 de janeiro de 2006 para inclusão no Registro Nacional de Lugares Históricos,[147] sendo adicionado em 24 de fevereiro.[148] A RFR obteve a posse completa do edifício em 2013, quando comprou os catorze por cento de Harry Lis.[149][150] A RFR decidiu em 2015 acabar com os arrendamentos do Four Seasons e Brasserie antes do fim do prazo, com os dois restaurantes fechando.[151][152] A RFR propôs mudanças no interior do Four Season, incluindo a remoção de uma parede de vidro entre o Salão da Grelha e o Salão da Piscina, bem como converter as adegas em banheiros.[153] A Comissão de Preservação de Marcos rejeitou essa proposta, exceto pela substituição do carpete.[154] A arquiteta Annabelle Selldorf restaurou a estrutura física e William Georgis supervisionou o projeto de interior.[155]

Os restaurantes The Grill e The Pool foram abertos em meados de 2017 no espaço previamente ocupado pelo Four Seasons.[156] Nesse mesmo ano, o arquiteto Peter Marino projetou o The Lobster Club no antigo espaço do Brasserie no subsolo.[157][158][159] Além disso, a fachada do Seagram Building foi restaurada em 2016 e a RFR gastou quatrocentos mil dólares para instalar uma impermeabilização nos chafarizes da praça e também 250 mil para renovar os bancos da praça. Também havia planos para alterar a garagem no subsolo, que não tinha a designação de marco.[160] A RFR inicialmente não foi atrás de permissão da Comissão de Preservação de Marcos para alterar o interior do Four Seasons, só pedindo permissão em 2017 depois das renovações terem sido finalizadas.[161][162] A comissão aprovou retroativamente as renovações quase dois anos depois, mas com algumas modificações.[163] O salão de estar do The Pool foi fechado em dezembro de 2019 para uma renovação de um mês com o objetivo de se conformar com os planos aprovados pela comissão.[164] O The Grill assumiu o The Pool no mês seguinte porque havia uma demanda maior pela culinária do The Grill.[165]

Anos 2020 em diante

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Rosen anunciou em 2020 que renovaria a garagem no Seagram Playground, uma academia e espaço comunal para trabalhadores.[166][167] Este foi anunciado como um modo de atrair inquilinos por conta da pandemia de COVID-19 e por causa da saída da Wells Fargo, uma das maiores inquilinas.[168] O Seagram Playground foi finalizado em agosto de 2022 por 25 milhões de dólares;[169][170] na época, oitenta por cento dos escritórios estavam ocupados.[170] Bridget Read da Curbed afirmou que o Seagram Playground era um de vários grandes investimentos que Rosen fez em "imóveis de primeira linha no centro da cidade em um momento em que eles ainda não se recuperaram totalmente" da pandemia.[171] O edifício estava quase todo ocupado no final de 2022, com empresas como Blue Owl Capital e Clayton, Dubilier & Rice assinando ou renovando seus arrendamentos.[172]

Rosen e seu parceiro Michael Fuchs foram atrás no início 2023 de um refinanciamento do Seagram Building, pois um empréstimo com título lastreado em hipotecas comerciais de 783 milhões de dólares estava prestes a terminar no final do ano;[173][174] com o empréstimo sendo estendido em maio.[175] Rosen refinanciou o prédio em dezembro de 2023 por 1,1 bilhão de dólares[176][177] e renovou arrendamentos de mais de 9,3 mil metros quadrados pelo decorrer daquele ano.[178] Rosen refinanciou o edifício novamente em fevereiro de 2025, conseguindo um empréstimo de um título lastreado em hipotecas comerciais de 1,2 bilhão de dólares de um sindicato liderado pela Morgan Stanley.[179][180]

Arquitetura

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O Seagram Building foi projetado pelo arquiteto Ludwig Mies van der Rohe[181][182] no Estilo Internacional. Philip Johnson foi o co-arquiteto,[183] responsável pelas coberturas das entradas, elevadores, iluminação e restaurantes.[184] Ely Jacques Kahn e Robert Allan Jacobs foram os arquitetos associados.[183] Vários consultores também se envolveram, incluindo a engenheira mecânica Jaros, Baum & Bolles, a engenheira estrutural Severud-Elstad Krueger, o engenheiro elétrico Clifton E. Smith, o consultor de iluminação Richard Kelly, a consultora acústica Bolt, Beranek and Newman, a consultora gráfica Elaine Lustig e os paisagistas Charles Middeleer e Karl Linn.[21][22][185]

Phyllis Lambert, uma arquiteta filha do diretor executivo Samuel Bronfman da Seagram e a originadora da ideia do edifício, não impôs um orçamento.[139][186] Ela afirmou que o Seagram Building deveria "ser a glória suprema do trabalho de todos, sua própria, do empreiteiro e de Mies".[187] Os arquitetos usaram materiais novos ou redesenhados se acreditassem que essas inovações proporcionariam uma melhora sobre produtos já existentes.[188] O projeto usou materiais caros e de alta qualidade, incluindo bronze, travertino e mármore.[58][139] Os interiores, supervisionados por Johnson, tinham a intenção de complementar a aparência da fachada.[189] O Seagram Building foi o primeiro prédio de escritórios no mundo a usar bronze extrudado em uma fachada,[27][190] bem como o primeiro arranha-céu de Nova Iorque com janelas de vidro plano grandes.[191][192]

O Seagram Building ocupa metade do seu terreno,[21] estando recuado da Avenida Park em 27 metros.[57][193][194][nota 2] A seção principal do edifício é um laje retangular de 38 andares encimada por um andar mecânico, não tendo nenhum recuo.[196] O prédio tem 156,97 metros de altura.[197][198][nota 3] Como planejado, a laje mede 28,9 por 44,2 metros.[63] Ao longo da extremidade leste da laje existe um poço estreito com uma escada de saída de emergência, sendo algumas vezes chamado de "espinha", tendo a mesma altura do edifício.[24][199][201] A espinha, que faz parte da estrutura do prédio, contém banheiros do sexto ao décimo andar e escritórios nos andares superiores.[202]

Há duas alas ao leste da laje principal, de frente para a Rua 52 e Rua 53; já foram citadas como tendo quatro[201] ou cinto andares, dependendo se o subsolo no nível da rua é contado.[203] A seção central entre as alas já foi caracterizada como uma "anquinha" e tem dez andares.[201][203] Como planejada, ela mede 27,4 por 25,9 metros.[63] A edição de abril de 1955 da revista Architectural Forum descreveu a relativa simplicidade da fachada do prédio como "um edifício sem recuos mas um edifício todo recuado".[22]

A praça em frente do edifício

Uma praça de granito rosa com piscinas e vegetação está ao oeste.[193][204][205] Ela mede 27,4 por 45,7 metros, com a dimensão maior ao longo da Avenida Park.[206]Está ligeiramente elevada, com três degraus subindo da calçada no meio do caminho entre as Ruas 52 e 53,[204][206][207] de frente para o Racquet and Tennis Club diretamente ao oeste.[205] Um muro de contenção baixo feito de granito corre de cada lado dos degraus, estendendo-se ao redor das Ruas 52 e 53, flanqueando o edifício.[207] Há capitéis de mármore no topo dos muros de contenção nas ruas laterais,[2] também servindo de bancos.[208] Na extremidade oriental dos muros há degraus de granito da rua para o saguão, acima do qual há coberturas de travertino[2][7] projetadas por Johnson.[184] Os parapeitos nas laterais da rua mede 1,14 metro de largura por 54,8 metros de comprimento e são feitos de quarenta peças de mármore verde italiano.[209]

A praça na maior parte simétrica, com piscinas retangulares nos cantos noroeste e sudoeste. Na piscina sudoeste há um mastro de bandeira feito de bronze, a única divergência em relação à simetria do projeto.[206][207] O nível da água das piscinas fica logo abaixo àquele da praça,[207] existindo conjuntos de jatos de água de chafarizes no centro de ambas as piscinas e que não faziam parte do projeto original.[2][210] As piscinas medem catorze por 21,3 metros e cada uma contém 230 mil litros de água recirculada a cada duas horas e meia.[209] Ambas as piscinas são cercadas por banquetas de mármore, criando uma sensação de isolamento.[211] Ao leste das piscinas estão três canteiros de plantio com heras e nogueiras-do-japão.[2][201] Até novembro de 1959 esses canteiros tinham faias, mas foram depois substituídas com as mais resistentes nogueiras-do-japão.[212][213] Há um sistema de aquecimento que impede o acúmulo de gelo.[21][214] A superfície da praça precisava ser varrida diariamente quando o edifício foi finalizado.[215]

A intenção da praça era que fosse um espaço verde urbano e ponto de interesse.[194][205] O crítico arquitetônico Lewis Mumford comentou sobre a praça: "Em poucos passos, a pessoa é elevada da rua de forma tão completa que quase se tem a ilusão de ter subido uma longa escadaria".[6] A simplicidade do projeto da praça era um contraste com o Channel Gardens em frente ao 30 Rockefeller Plaza, que o crítico arquitetônico Robert A. M. Stern descreveu como conhecido por suas festividades.[57] O plano inicial era colocar esculturas abstratas na praça, mas Mies abandonou isso.[216][217] Tanto Stern quanto o Serviço Nacional de Parques afirmaram que Mies não conseguiu encontrar um escultor que ele achava adequado para a paisagem,[216] enquanto o autor Franz Schulze disse que o arquiteto nunca chegou seriamente a considerar adicionar esculturas.[217]

As colunas de sustentação

As extremidades norte, sul e oeste do edifício pendem sobre a praça e são sustentadas por colunas revestidas de bronze nos seus perímetros, formando uma arcada na frente da entrada.[2][218] Cada coluna mede 91 por 91 centímetros e têm dois andares,[66] chegando até 7,3 metros.[208][219] O teto da arcada contém lâmpadas de luz em recesso dentro de uma superfície de azulejo cerâmico.[2] As paredes do térreo atrás da arcada são painéis de vidro. Acima da arcada na lateral oeste do edifício está uma marquise feita de metal Muntz, também tendo luzes em recesso.[196] As bases das alas nas Ruas 52 e 53, embaixo do primeiro andar, são revestidas de granito e contém entradas para o restaurante e bar.[199] As partes leste de ambas as alas têm portas de garagem[9] situadas abaixo do nível da praça.[208] A parede leste da ala da Rua 53 é revestida de tijolos,[9] com a fachada norte dessa ala tendo uma entrada direita para o The Lobster Club.[220] A seção leste da fachada da ala da Rua 52 tem a entrada para o The Grill and Pool.[221]

O muro cortina começa acima dos andares inferiores[219][222] e é composto de paredes de vidro não estruturais cinza-rosados.[223][nota 4] O uso de um muro cortina não estrutural diferia de obras anteriores de Mies, como o 860–880 Lake Shore Drive em Chicago, em que a armação estrutural foi incorporada à fachada.[224] Os painéis de vidro do Seagram Building cobrem aproximadamente 11,3 mil metros quadrados[84][225] e foram projetadas para serem resistentes ao calor e brilho.[188][226] Não era possível para a equipe de limpeza de vidros usar os equipamentos padrões da época porque as janelas ficavam permanentemente seladas e por não haver recuos. Em vez disso, foi instalado um andaime pneumático feito sob medida com uma plataforma de 8,7 metros, a largura de seis janelas.[227] Pelo lado de dentro, Mies tentou evitar irregularidades quando persianas eram fechadas. Consequentemente, o edifício usa persianas customizadas com lâminas em ângulos de 45 graus, permitindo que as persianas sejam colocadas em três posições diferentes: totalmente aberta, pacialmente aberta ou totalmente fechada.[228][229]

Detalhe da fachada

Há 1,5 mil toneladas de bronze na fachada,[230] tendo sido produzidos pela General Bronze Corporation em sua fábrica em Garden City, Nova Iorque.[231][232][233] Os painéis de vidro ficam entre mainéis verticais de bronze feitos de extrusões de vigas em formato de "I" de 110 por 150 milímetros.[196][226] Os mainéis de bronze separam verticalmente a fachada em tramos de 9,1 metros, cada qual abrange a largura de cinco janelas.[234][nota 5] As extremidades superiores e inferiores dos mainéis são afiladas, expondo suas seções transversais.[202] Os mainéis do Seagram Building são apenas estéticos e são suscetíveis à expansão e contração térmica.[202][235] A General Bronze afirmou ao final da construção que a fachada precisaria ser limpada duas vezes ao ano com sabão, água e limão a fim de impedir descoloração;[236] este trabalho podia ser feito pelo andaime de limpeza de vidros.[215] Enjuntas de metal Muntz separam horizontalmente as janelas em cada andar, criando uma aparência similar ao cobre.[188][196][202] Uma amostra da fachada foi testada em um túnel de vento em 1956 e resistiu a ventos de até 160 quilômetros por hora.[225]

O projeto da fachada do edifício foi replicada nas alas e anquinha.[196] A espinha ao leste do prédio é revestida com painéis de mármore serpentino em vez de vidro por causa da presença de muros de cisalhamento feitas de concreto.[199][237] Cada uma desses muros de cisalhamento fica escondido atrás do revestimento de mármore, que por sua vez é coberto por painéis de muro cortina.[72] A fachada de muro cortina custou 190 dólares por metro quadrado.[188] Acima do trigésimo oitavo andar há um andar mecânico de altura tripla com uma tela veneziana.[199]

Interiores

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A superestrutura interna do Seagram Building é uma armação de aço com concreto e gesso.[238] Na época que o edifício foi erguido, códigos de construção exigiam que todo aço estrutural fosse coberto com material à prova de fogo, como concreto, porque colunas ou vigas de aço protegidas de forma inadequada poderiam amolecer e falhar em incêndios confinados.[239] Os muros de cisalhamento de concreto do núcleo sobem até o décimo sétimo andar, enquanto o contraventamento diagonal do núcleo, com treliças de cisalhamento, chegando ao vigésimo nono andar.[240] O sistema estrutural também inclui colunas de aço cujos centros estão separados por 8,46 metros.[84] Os sistemas de aquecimento e ar condicionado são divididos em duas seções: uma unidade no subsolo servindo todos os andares até o vigésimo e uma unidade do telhado que serve do vigésimo primeiro andar em diante.[241] Dutos para fios de energia e telefone e cabos para o circuito fechado de televisão foram embutidos nos pisos de concreto das lajes.[238]

O Seagram Building tem uma área interna de 78 876 metros quadrados,[1] incluindo três andares de subsolos.[83] Dentro do edifício costumavam ficar os restaurantes Four Seasons e Brasserie, originalmente projetados por Johnson.[151] Os interiores desses estabelecimentos eram decorados com várias obras de arte. Estas incluíam os murais Seagram de Mark Rothko, que segundo ele tinham a intenção de causar mal-estar aos clientes do Four Seasons,[45] bem como a cortina pintada Le Tricorne de Pablo Picasso, originalmente criada para a companhia Ballets Russes em 1919.[242][243] Em 2017 havia três restaurantes operando dentro do edifício, todos propriedade da Major Food Group: The Grill, The Pool e The Lobster Club.[244] O The Pool foi fundido ao The Grill em 2020, porém um espaço de eventos separado chamado Pool Lounge ainda existe.[165]

Dois dos andares de subsolo originalmente tinham 150 vagas de estacionamento[245][246] conectados ao saguão por seu próprio elevador.[245] A garagem foi renovada a partir de 2019 em uma academia chamada de Seagram Playground.[166] Este tem 2 180[247] ou 3,3 mil metros quadrados, tendo sido projetado em um estilo diferente do edifício para atrair funcionários mais jovens.[166] Possui quadras de basquete, pickleball e volêi, bem como um rocódromo.[169][170] Ao lado está uma sala de exercícios, área de treinamento, sala de bicicletas ergométricas e lounge.[247] A academia também pode ser usada como um teatro de 150 lugares com oito níveis de arquibancadas,[169] com duas salas de conferência ficando em um mezanino acima.[247] Também há espaços de armazenamento, plataformas de carga e áreas de serviço para ocupantes do térreo.[210]

Planta da praça e saguão

Diferente de edifícios no estilo Beaux-Arts, o saguão do Seagram Building carece de um espaço central, em vez disso conduzindo as pessoas da praça diretamente para os elevadores ou restaurantes.[248] O saguão é tratado arquitetonicamente como uma extensão da praça,[249] compartilhando seu piso de granito.[208][250] O autor Lewis Mumford comentou: "Lado de fora e dentro são simplesmente os mesmos".[6][251] O saguão é dividido em uma seção oeste de frente para a praça, uma seção central com os elevadores e uma seção leste de frente para os restaurantes.[252]

A parte oeste do saguão tem três portas giratórias de bronze e duas colunas de bronze. A seção central consiste em três corredores que conectam os terços leste e oeste do saguão, com quatro recintos para elevadores e escadas,[250][253] mais paredes revestidas de travertino.[254] Há três elevadores em cada parede norte e sul de cada corredor, totalizando dezoito elevadores.[253] Os elevadores no corredor norte atendem do vigésimo quinto ao trigésimo oitavo andares, aqueles no corredor central atendem do segundo ao décimo andares, já aqueles no corredor sul atendem do décimo ao vigésimo quinto andares.[255] Os recintos de elevadores norte e sul possuem escadas de incêndio saindo para a praça, com todos os recintos tendo espaços mecânicos e armários de serviço.[256] Os interiores das cabines dos elevadores contém aço inoxidável e painéis de malha de bronze, enquanto o teto há painéis brancos que iluminam cada cabine.[229][257][258] Acima das portas dos elevadores há luzes fluorescentes instaladas nos intradorsos dos batentes. No terço central do saguão estão caixas de correio, uma caixa de alarme e portas de serviço feitas de bronze.[257]

A seção leste tem outras duas portas giratórias dentro dos muros de vidro norte e sul.[253] Uma passagem transversal liga os dois conjuntos de portas.[202][253] Há portas de serviço na parede leste da passagem transversal, já na parede oeste há um painel de controle dos elevadores, um painel de controle de incêndio e diretórios.[257] Um conjunto de degraus ascendentes feitos de travertino, localizado entre os halls de elevador leste e oeste,[250] leva da passagem transversal para os espaços de restaurantes.[256][259]

O teto do saguão tem 7,3 metros de altura e é feito de cimento preto e mosaicos de vidro cinza de 25 por 25 milímetros.[252][260][261] No teto estão embutidas luzes com reguladores de intensidade.[256][261] Os pisos, paredes e colunas também são revestidos de travertino.[208][261] As paredes externas tem mainéis de bronze dentro das quais ficam os painéis de vidro externos. Uma barra de bronze horizontal de 1,1 metro fica acima do nível do térreo, cercando as paredes externas.[252] Ela foi instalada na década de 1970 para seguir regulamentos do estado de Nova Iorque. Placas no saguão foram originalmente projetadas com uma fonte quadrada serifada feita especificamente para o Seagram Building.[248]

The Grill and Pool

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O salão da piscina do restaurante

O restaurante The Grill and Pool ocupa dois andares na anquinha do Seagram Building, a leste do saguão e do poço principal. O andar superior fica logo acima do saguão, enquanto o andar inferior fica no mesmo nível das Ruas 52 e 53.[262] Quando foram originalmente inaugurados como restaurantes separados em 2017,sucedendo o Four Seasons Restaurant, o The Grill servia culinária de meados do século XX enquanto o The Pool servia principalmente frutos do mar.[155][263] Johnson foi o arquiteto original dos espaços.[184]

The Grill and Pool foi nomeado em homenagem os salões de mesmo nome do Four Seasons e contém elementos similares ao saguão. Possui paredes e pisos de travertino, tetos de cimento com azulejos mosaicos cinza e pegões de bronze engajado.[259] O Four Seasons tinha cinco salões que estão preservados no The Grill and Pool.[97][264][nota 6] O salão da piscina fica no lado norte do térreo, enquanto o salão da grelha fica no lado sul. Há duas áreas na varanda acima do salão da grelha, assim como uma varanda acima do salão da piscina.[266] Uma escadaria conecta o salão da grelha com um saguão de entrada e vestíbulo na Rua 52.[221]

Os salões da grelha e da piscina ambos medem dezoito por 27 metros.[265] Os dois salões e seus espaços auxiliares tem um teto de 6,1 metros de altura com painéis quadriculados de alumínio branco-creme e iluminação embutida. As paredes externas são muros cortinas de vidro, contendo cortinas metálicas que ondulam com o ar liberado por dutos de ventilação ocultos.[267] Entre os dois salões há um corredor no sentido norte sul com portas que levam a vestíbulos do lado de fora de cada salão.[268] No centro do salão da piscina está uma piscina de mármore com 6,1 por 6,1 metros.[269] No lado leste desse salão há uma escada que liga o mezanino a um pódio ligeiramente acima do piso principal.[97][270] O salão da grelha tinha um lounge no canto nordeste e um bar no canto sudoeste.[271] Dois salões de jantar privativos ficam em uma varanda acima do salão da grelha, sendo acessados por escadas separadas e por sua vez separados do resto do restaurante por portas com painéis de nogueira.[272] Vigas espessas nos tetos de ambos os salões eliminaram a necessidade de colunas no centro de cada espaço.[201]

The Lobster Club

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The Lobster Club fica no nível da Rua 53, embaixo do salão da piscina, onde ficava o Brasserie. Ele serve frutos do mar japoneses.[157][158] Johnson projetou o interior original, que foi danificado por um incêndio e redesenhado pela Diller + Scofidio entre 1995 e 1999.[137][138] O The Lobster Club foi redesenhado por Peter Marino em 2017.[157][158]

A entrada leva a um saguão com banheiros ao leste, um guarda casacos ao oeste e o salão de jantar ao sul. O salão principal fica ligeiramente acima do saguão da Rua 53 e é alcançado por escadas.[220] O saguão fica na parede norte do salão principal, enquanto as cozinhas e áreas dos garçons ficando na parede sul. Um segundo salão de jantar é alcançado por um batente no centro da parede oeste. Uma porta na parede sul leva a uma escada de emergência até o saguão.[258] O salão principal do The Lobster Club tem móveis e estofados de cores vivas, 150 ladrilhos de concreto pintados com gotejamento pela artista Laura Bergman e três cabines com divisórias de bronze na parede sul. Há um bar no lado leste do salão.[158][159] O segundo salão de jantar é uma suíte privativa com paredes divisórias brancas, pisos de marmorite vermelho e esculturas de metal.[157][158]

O Brasserie podia acomodar 150 pessoas.[265] Quando usado pelo Brasserie, o vestíbulo tinha uma parede de pedra e uma câmera de vídeo que mostrava imagens dos clientes entrando no restaurante, com um painel de LCD anunciando a entrada de cada cliente.[273] O salão principal tinha um balcão em formato de "U" cercado por mesas circulares e alcovas com partições de vidro.[274] Havia painéis de madeira nas paredes,[273][275][276] com um conjunto de pratos desenhados por Picasso ficando montados na madeira.[276] As paredes laterais tinham cabines projetadas por Johnson.[277] Na seção norte da parede oeste ficava um bar e na seção sul uma alcova de jantar. O bar, alcova e segundo salão tinham pisos de carpete, já o salão principal tinha um piso de madeira. O teto era de gesso com luzes em recesso.[275] A parede traseira do salão principal tinha uma parede com painéis de vidro duplos, atrás dos quais ficavam esculturas.[278] Os banheiros masculino e feminino usavam pias de resina e eram decorados com ladrilhos hexagonais.[273]

Escritórios

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O Seagram Building visto da Avenida Park

A intenção era que os andares de escritórios tivessem escritórios executivos.[261] Os andares de forma geral têm uma planta baixa flexível, sendo arranjados em módulos ao redor do núcleo dos elevadores.[258] A flexibilidade dos escritórios vem dos tramos largos da superestrutura.[279] De forma geral, há 2,6 mil metros quadrados de espaços de escritórios entre o segundo e quarto andares, 1 730 metros quadrados do quinto ao décimo andares e aproximadamente 1,2 mil metros nos andares restantes.[85][86][279][nota 7] Johnson foi quem principalmente supervisionou o desenho de interiores dos escritórios,[189] com todos os materiais tendo sido feitos especificamente para o Seagram Building.[121]

As áreas de desembarque dos elevadores tem pisos de marmorita verde, paredes de travertino, molduras cinza nas portas do elevador e tetos de gesso.[258] Os andares de escritórios usam módulos de 1,41 metro por 1,41 metro.[204][280] As portas dos elevadores, portas de salas e partições foram projetadas para irem do chão ao teto, fazendo com que as aberturas parecessem fazer parte dos painéis.[204][229][280] Painéis divisórios foram projetados com materiais laváveis, o que se tornou o padrão depois deles terem sido usados no Seagram Building.[229][280] As maçanetas das portas eram feitas de alavancas em vez de botões redondos.[281] Os tetos são feitos de forro acústico.[258] O teto de cada andar é cercado por painéis luminosos revestidos com azulejos ativados por um temporizador,[282] sendo dispostos em uma faixa consistente que mede cerca de 3,5 metros de largura.[283][284] Os painéis luminosos contém painéis difusores de vinil de 1,3 metro de largura.[283] O resto de cada andar usa uma iluminação direta.[284] Ar condicionados ficam 28 centímetros acima do piso, permitindo que as janelas tenham toda a altura das paredes de vidro.[280][285]

A Seagram ocupava do segundo ao oitavo andares.[255] Johnson, Lambert e J. Gordon Carr colaboraram no projeto desses escritórios.[286] Tinham uma recepção com tapeçarias e uma parede de travertino com o logo da Seagram.[255][261] Também havia escritórios executivos com móveis projetados por Mies.[261][287] Os escritórios executivos tinham uma cozinha e sala de jantar com painéis de carvalho que também podia servir de sala de conferências.[287] Escritórios com painéis de madeira, tetos luminosos e carpetes ocre ficavam em três lados do quinto andar. Os escritórios externos no quinto andar eram maiores do que nos outros andares.[288] No quarto andar ficavam vários espaços grandes para reuniões e recepções, incluindo uma sala de reuniões de 21 por onze metros que podia ser dividida em três seções.[289] Divisórias de travertino que iam do piso ao teto separavam os banheiros.[229] Outro elemento dos escritórios da Seagram eram luminárias que podiam ser retraídas para dentro do teto quando não estivessem em uso.[284] A revista Architectural Forum descreveu os escritórios da Seagram como tendo estabelecido um "alto padrão" para inquilinos subsequentes.[261]

Recepção

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O Seagram Building visto da Avenida Park

O autor Lewis Mumford, quando o Seagram Building foi finalizado, descreveu a estrutura como o "Rolls-Royce" dos edifícios,[290][291] escrevendo que "tem o impacto estético que apenas uma obra de arte unificada sem concessões insignificantes pode ter".[234][290] Thomas W. Ennis do The New York Times escreveu em 1957 que o prédio era "um dos edifícios pós-guerra mais notáveis de Manhattan" e caracterizou seu projeto como um ponto alto da carreira de Mies.[191][231] Similarmente, a revista Progressive Architecture descreveu o Seagram Building em 1958 como "Provavelmente o edifício novo mais aclamado nos EUA".[292] Segundo a revista Architectural Forum no mesmo ano, "Seagram desafia completamente as práticas aceitas para arranha-céus".[290][293] O arquiteto italiano Gino Pollini afirmou em 1959 que o Seagram Building era "uma obra prima de arquitetura funcional e estética".[294] Quando Mies morreu em 1969, Alden Whitman do The New York Times escreveu que o arquiteto tinha considerado o Seagram Building como seu terceiro projeto favorito da carreira, atrás apenas do S. R. Crown Hall e do Centro Federal de Chicago.[295]

A autora Ada Louise Huxtable disse em 1969 que o edifício era "arquitetura digna, suntuosa, austera, sofisticada, fria e de elegância suprema".[296] A The New York Times Magazine descreveu o saguão em 1975 como um dos dez melhores de Nova Iorque.[297] O autor G. E. Kidder Smith achou que o edifício e seus elementos eram "incomparáveis".[298] Franz Schulze descreveu o projeto em 1985 como aprimorado por sua ambientação,[52] enquanto David Spaeth disse no mesmo ano que a estrutura era "um monumento primeiro a uma ideia e segundo a uma corporação".[299]

Segundo o autor Jerold Kayden em 2000, o Seagram Building "permanece sendo a obra-prima quintessencial do Estilo Internacional da arquitetura 'torre no parque' na cidade".[300][301] Richard Longstreth da Architectural Record descreveu o edifício como uma das obras arquitetônicas de meados do século XX "mais famosas" dos Estados Unidos que são protegidas como marcos históricos em nível local ou nacional.[302] O crítico Herbert Muschamp chamou o prédio em 2001 de "o Edifício dos Dois Milênios", afirmando que ele englobava "tudo de essencial na arquitetura ocidental".[303] O arquiteto Ricardo Scofidio disse que a construção do Seagram Building "foi a primeira vez que você percebeu que a arquitetura trouxe algo que não existia para a cidade".[45]

Apesar da recepção principalmente positiva, o arquiteto e autor Robert A. M. Stern afirmou que houve comentários negativos sobre a "austeridade" da praça e a falta de pureza do exterior.[57] Stern citou o arquiteto Louis Kahn, que acreditava que a "espinha" traseira tirava a pureza do prédio, porém Kahn também disse que os suportes de vento escondidos faziam com que o edifício parecesse como "uma linda dama de bronze em espartilhos escondidos".[57][304] Mumford elogiou o projeto, mas achou que a praça e suas piscinas eram um "defeito grave" no que de resto era uma "obra prima".[213] Frank Lloyd Wright chamou o edifício de "uma garrafa de uísque em uma carta de baralho".[303] Os autores italianos Manfredo Tafuri e Francesco Dal Co escreveram em 1976 que o Seagram Building ficava "afastado da cidade" e viu a justaposição como um símbolo de ausência.[305][306]

Reconhecimento

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A Associação da Quinta Avenida disse que o Seagram Building era o melhor edifício construído na Avenida Park entre 1956 e 1957.[307] O governo municipal premiou a Seagram em 1963 pelo impacto positivo do prédio na beleza da cidade.[106] A Junta de Comércio entregou ao prédio em 1965 com seu prêmio de arquitetura, citando sua praça, forma e materiais.[308][309] No ano seguinte, a Sociedade Municipal de Arte deu uma placa de bronze ao prédio, reconehcendo-o como um "marco moderno".[308][310] Johnson recebeu em 1979 a Medalha de Bronze da cidade pelo projeto do Seagram Building. Simultaneamente, a divisão de Nova Iorque do Instituto Americano de Arquitetos deu à Seagram uma citação especial reconhecendo a "mais elegante contribuição para a arte da arquitetura e cuidado com que ela é mantida" da empresa.[311]

Uma pesquisa de 1976 com especialistas escolheu o Seagram Building como o quinto melhor edifício dos Estados Unidos,[312][313] enquanto uma pesquisa em 1982 com os leitores da Architecture: The AIA Journal o escolheu como o segundo melhor.[314] O Instituto Americano de Arquitetos reconheceu o Seagram Building em 1984 com seu Prêmio Vinte e Cinco Anos por sua "capacidade de resistir ao teste do tempo".[61][315] Além disso, foi incluído no documentário e livro 10 Buildings that Changed America em 2013.[316] O edifício recebeu avaliações mais baixas por parte do público, não aparecendo em uma pesquisa de 2007 em busca dos 150 edifícios mais populares dos estadunidenses.[317]

Influência

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O Seagram Building visto da Avenida Park

A praça do Seagram Building imediatamente ficou popular assim que o edifício foi inaugurado, sendo frequentada tanto por trabalhadores do prédio quanto por turistas.[195] A praça foi em 1971 a ambientação para um estudo do sociólogo William H. Whyte, cujo filme The Social Life of Small Urban Spaces registrou os padrões diários de pessoas socializando na praça.[104][318] Whyte elogiou a praça por permitir uma sensação de escolha, em que seus usuários podiam deitar ou sentar nas beiradas ou degraus, mesmo com um projeto relativamente simples.[318][319]

A existência da praça influenciou a Resolução de Zoneamento de 1961,[27][24][121] uma nova regra de construção que permitia que incorporadores de Nova Iorque aumentassem o número máximo de andares de seus edifícios em troca da adição de espaços abertos públicos em frente das estruturas. Isto era bem diferente do modelo "bolo de casamento" estabelecido pela Resolução de Zoneamento de 1916, que exigia recuos em intervalos regulares.[320][321] Alguns edifícios da cidade seguiram o exemplo do Seagram Building de um edifício atrás de uma praça, mesmo antes da Resolução de Zoneamento de 1961 ser implementada, como por exemplo o 1271 Avenue of the Americas, o 270 Park Avenue e o 28 Liberty Street.[308] 8,1 hectares de praças foram construídas em Nova Iorque nos dez anos seguintes à revisão do código.[24]

Mies reusou muitos elementos do Seagram Building em outros projetos,[322][323] incluindo o IBM Building em Chicago e o One Charles Center em Baltimore, bem como outros projetos nunca construídos na década de 1960.[323] Apesar de Mies não acreditar que o Seagram Building era muito diferente de seus outros projetos,[61][324] o crítico e autor Paul Goldberger disse em 1976 que o prédio era um dos "edifícios mais copiados de Nova Iorque", com seu projeto também tendo sido duplicado ao redor do mundo.[121] Estas estruturas incluíam o 270 Park Avenue, o Inland Steel Building em Chicago[290][325] e o Richard J. Daley Center também em Chicago.[323] Uma réplica do Seagram Building foi construída no New York-New York em Paradise.[326][327] Segundo o autor Edward Relph, o projeto foi "amplamente plagiado em várias cores e formatos por outros arquitetos", porém ele considerou alguns desses como "desprovidos de cópias interessantes".[322]

Em 2005, o Museu dos Arranha-Céus pediu a cem arquitetos, construtores, críticos, engenheiros, historiadores e acadêmicos, dentre outros, que escolhessem seus dez edifícios favoritos de Nova Iorque de uma lista de 25. O Seagram Building ficou em segundo atrás do Chrysler Building, com 76 respondentes colocando-o em suas escolhas.[300][328]

  1. Estes arquitetos incluíam Marcel Breuer, Walter Gropius, George Howe, Louis Kahn, Le Corbusier, William Lescaze, Ludwig Mies van der Rohe, I. M. Pei, Eero Saarinen, Frank Lloyd Wright e Minoru Yamasaki.[51][52] Lambert disse em 2024 que também elaborou uma lista de arquitetos que "podiam, mas não deveriam", incluindo a Skidmore, Owings & Merrill, que ela considerava "sem criatividade".[46]
  2. A Comissão de Preservação de Marcos Históricos da Cidade de Nova Iorque e o The New York Times afirmaram que o edifício está há trinta metros da avenida.[21][195]
  3. A SkyscraperPage e Emporis citaram uma altura de 156,97 metros,[197][198] porém a revista Architectural Forum e o Serviço Nacional de Parques deram uma altura de 158,5 metros,[194][199] enquanto o autor Franz Schulze falou em 157,2 metros.[200]
  4. A tonalidade já foi citada como âmbar,[202] topázio[208] ou rosa misturado com cinza.[201]
  5. Franz Schulze dá o valor diferente de 8,5 metros de largura para cada tramo.[219]
  6. Fontes discordam se os salões tinham uma capacidade combinada de quatrocentas[264] ou 485 pessoas.[265]
  7. A área total de cada andar é ligeiramente maior. Há 2 968,7 metros quadrados do segundo ao quarto andares, 2 064,8 metros quadrados entre o quinto e o décimo andares, e 1 387,3 metros quadrados do décimo primeiro em diante.[57]

Referências

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Bibliografia

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Ligações externas

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