Welthauptstadt Germania

Welthauptstadt Germania (traduzida no português: Germânia, a Capital do Mundo) foi um plano que nunca chegou a ser construído de Adolf Hitler para a demolição e reconstrução da capital alemã após uma possível vitória da Alemanha Nazista na Segunda Guerra Mundial. O arquiteto proposto para esta nova cidade foi Albert Speer, que produziu muitos planos para a reconstrução da cidade, porém apenas uma pequena porção de edifícios foi construída antes do final da Segunda Guerra Mundial. O termo "Welthauptstadt Germania" provém da autobiografia de Albert Speer.
A arquitetura de Berlim naquela época era, para Hitler, muito provinciana, e ele dizia que iria demolir a cidade antiga e reconstruir a cidade de forma muito diferente, tornando a capital da Alemanha a cidade mais importante do mundo e também a maior, superando outras capitais mundiais, como Londres, Paris, Nova York, Washington, D.C. e Roma.
Muitos prédios históricos e antigos de Berlim seriam demolidos, com exceção do Portão de Brandemburgo, símbolo da divisão e unificação da Alemanha.
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O primeiro passo para efetuar estes planos foi o Estádio Olímpico de 1936. Este estádio seria o maior do mundo por muito tempo (até a inauguração do Estádio do Maracanã, em 1950) e ainda hoje está entre os maiores do mundo. Um estádio muito maior com capacidade de exploração para 400.000 espectadores foi planejado, mas apenas foram feitas escavações e o projeto foi abandonado.
Avenida da Vitória
[editar | editar código]Quase nenhum dos outros edifícios planejados para a Germânia jamais saiu do papel. Berlim deveria ser reorganizada ao longo de um boulevard de quase 5 km de comprimento e 120 metros de largura, conhecido como Avenida da Vitória. Essa seguiria para o sul a partir de um ponto de interseção com o eixo leste-oeste próximo ao Portão de Brandemburgo, seguindo o antigo trajeto da Siegesallee (Avenida da Vitória) pelo Tiergarten e continuando para oeste até o Aeroporto de Tempelhof.
Esse novo eixo norte-sul serviria para grandes desfiles e o tráfego seria fechado, desviando veículos para uma rodovia subterrânea que passaria diretamente sob a rota do desfile. Seções desse túnel foram construídas e ainda existem. Nenhuma obra foi iniciada à superfície, embora Speer tenha transferido a Siegesallee para outra parte do Tiergarten em 1938, em preparação para a construção da avenida.
O plano também incluía a construção de duas novas estações ferroviárias como parte do projeto do eixo norte-sul.
Große
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No extremo norte da avenida, na parte norte do eixo leste-oeste, haveria um grande fórum aberto conhecido como ''Großer Platz'', com uma área de cerca de 350.000 m².
Essa praça seria cercada pelos maiores edifícios da cidade, com o Palácio do Führer no lado oeste, o Edifício do Reichstag no lado leste, e a Chancelaria do Terceiro Reich e o alto comando do Exército Alemão no lado sul (em ambos os lados da praça a partir da entrada da Avenida da Vitória).
No lado norte da praça, ao longo do Rio Spree, Speer planejava construir o centro da nova Berlim, um enorme edifício com cúpula, o Volkshalle (Salão do Povo), projetado pelo próprio Hitler. Seria o maior espaço fechado já construído no mundo. Esse edifício teria mais de 200 m de altura e 250 m de diâmetro, 16 vezes maior que a cúpula da Basílica de São Pedro.
Arco do Triunfo
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Na extremidade sul da avenida haveria um arco triunfal baseado no Arco de Triunfo em Paris, só que três vez maior.[1] O arco foi projetado em forma de tetrapilões, com 117 metros de altura e 170 metros de largura. Os relevos decorativos deveriam ter sido esculpidos por Arno Breker. Ele estaria localizado na parte sul do "eixo Norte-Sul" (Nord-Süd Achse), no centro da Welthauptstadt Germania.
O início da Segunda Guerra Mundial em 1939, levou à decisão de suspender a construção até o fim da guerra para economizar materiais estratégicos. Por outro lado, os testes de construção, que incluíram a elaboração de blocos de concreto para monitorar a solidez do solo em Berlim, mostraram que ele não tinha a firmeza necessária para suportar uma obra com o peso do arco projetado, e que, se tivesse sido construído, teria afundado em pouco tempo.
Como resultado da ocupação de Berlim pelas tropas soviéticas em 1945, um memorial foi construído com dois mil mortos soviéticos enterrados ali, alinhado com esse proposto ''Arco Triunfal''. Pretendia-se que, dentro dessa estrutura, que fossem gravados em pedras os nomes dos 1,800,000 mortos alemães da Primeira Guerra Mundial. [2]
Planejamento
[editar | editar código]Primeiros testes
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Ainda durante a guerra, havia dúvidas se o terreno pantanoso de Berlim poderia suportar a carga dos projetos propostos, o que levou à construção de um edifício de exploração (Schwerbelastungskörper) que ainda existe hoje. É basicamente um grande bloco de concreto pesado utilizado pelos arquitetos para testar quanto peso o solo era capaz de suportar. Instrumentos monitoravam até que ponto o bloco afundava no solo. O Schwerbelastungskörper afundou 18 cm nos três anos de testes; uma profundidade máxima de 6 cm foi permitida. Utilizando os dados recolhidos por estes dispositivos gigantescos, é pouco provável que o solo poderia ter suportado o peso das estruturas sem outros preparativos.[3]
Demolição
[editar | editar código]A demolição de prédios antigos para dar lugar à reconstrução de Berlim começou em 1938 em vários locais da cidade. Isso incluía o distrito de Alsen, onde ficaria o Grande Salão (Volkshalle), e o distrito Tiergarten, onde Speer planejava construir a Casa para o Transporte Estrangeiro Alemão, e onde a Kaiser-Wilhelm-Strasse cruzaria com o grande eixo Leste-Oeste que seria construído. O Eixo Leste-Oeste foi concluído a tempo da celebração do 50º aniversário de Hitler um ano depois, em 1939, quando Speer o entregou cerimonialmente a Hitler com as palavras: "Meu Führer. Gostaria de relatar a conclusão do eixo leste-oeste. Que o trabalho fale por si só."
Cancelamento do projeto
[editar | editar código]Após sérios baixas na invasão alemã da União Soviética (principalmente após Stalingrado), que Hitler inicialmente via como mais um blitzkrieg ("guerra relâmpago"), a construção da "Germânia, Capital do Mundo" foi interrompida permanentemente em março de 1943. [4]
Na cultura popular
[editar | editar código]A Germânia é sempre citada em obras fictícias em que o Eixo venceria hipoteticamente a Segunda Guerra Mundial. O livro de história alternativa Fatherland (1992), de Robert Harris, visualiza uma Alemanha Nazi que venceu a Segunda Guerra Mundial e finalmente realiza a visão de Hitler e Speer de uma Berlim reconstruída e monumental por volta de 1964.
A conhecido romance diatópico do O Homem no Castelo Alto trata dos eventos de 1962, numa época em que as potências do Eixo haviam vencido a guerra, onde se pode ver a Volkshalle construída, onde é por lá que acontecem as reuni��es dos altos comandos do Reich, incluindo o escritório de Adolf Hitler.
Referências
- ↑ Vaiano*, Bruno (29 de agosto de 2022). «Conheça a metrópole nazista que nunca saiu do papel». Revista Galileu. Consultado em 19 de dezembro de 2025
- ↑ Vaiano*, Bruno (29 de agosto de 2022). «Conheça a metrópole nazista que nunca saiu do papel». Revista Galileu. Consultado em 19 de dezembro de 2025
- ↑ History Channel, Cities Of The Underworld: Episode: 01 - Hitler's Underground Lair (5/5/07)
- ↑ Thomas, Thomas Friedrich (2012). Hitler′s Berlin – Abused City. Alemanha: [s.n.] p. 370-372
Ligações externas
[editar | editar código]- «Documentário "Welthauptstadt Germania"» (em alemão)